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> Minas adere ao programa TI Maior*

*Artigo elaborado pelo secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgílio Almeida, publicado no Estado de Minas, seção Opinião, no dia 28 de dezembro de 2012.

Foto: site do MCTI (Pedro Vilela / Agencia i7)

No Brasil, a indústria de tecnologia da informação (TI) construiu ao longo dos anos uma base tecnológica bastante razoável para atender, na maior parte das vezes, a demandas específicas. As empresas de software e serviços de TI já são mais de 73 mil, com faturamento de US$ 37 bilhões de dólares no ano passado. No entanto, nossa participação no mercado internacional ainda é pequena e a balança de serviços é deficitária. Importamos software de alto teor agregado e exportamos serviços de baixo valor. Nossas exportações estão na faixa de US$ 2,4 bilhões, que significa que há espaço para a indústria exportar mais.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realizou um amplo diagnóstico sobre as deficiências do setor. Com base nesses estudos, o MCTI elaborou o Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação para o período 2012-2015, conhecido como TI Maior. Participaram do trabalho entidades setoriais, consultores, e outros segmentos do governo. Considerou-se a experiência de países que tiveram êxito em programas de estímulo à indústria de software, como Estados Unidos, Israel, Índia, Coreia do Sul, Chile e Inglaterra.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentou o programa para Minas Gerais, em 14/12, com a presença de autoridades do estado e de representantes dos setores acadêmico e empresarial. O MCTI, por meio de sua Secretaria de Políticas de Informática, assinou acordo de cooperação na ocasião com o vice-governador Alberto Pinto Coelho pelo qual o governo de Minas Gerais se compromete a cooperar com o ministério na execução, acompanhamento e promoção das atividades que integram o programa.

Não por acaso escolhemos Minas Gerais para dar continuidade ao processo de regionalização do programa. O estado é um dos destaques no empreendedorismo de base tecnológica no país. Junto com o dinamismo da economia estadual e o rápido processo de industrialização, o setor de TI em Minas Gerais tem uma demanda reprimida de profissionais. Assim, a intenção é formar no estado cerca de 1, 2 mil novos profissionais de nível médio nos próximos 12 meses.

As grandes metas do TI Maior são levar o Brasil da 7ª para a 5ª posição no ranking mundial de TI, até 2022; dobrar o PIB do setor, que hoje é de 102 bilhões; multiplicar por cerca de oito vezes o valor das exportações, passando de 2,5 bilhões em 2011 para 20 bilhões em 2022. No mesmo período, pretende-se elevar a participação do setor no PIB brasileiro dos atuais 4,4% para 6%, além de gerar 2,1 milhões de empregos qualificados. Ao longo de três anos, serão investidos recursos de quase R$ 500 milhões.

Um dos objetivos é articular os ecossistemas digitais e estimular as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em setores chave da nossa economia, como óleo e gás, mineração, agronegócio e acoplar a indústria de software e TI a eles. Outro nicho é avançar nos serviços essenciais oferecidos ao cidadão nas áreas da saúde, educação e segurança.

Com a certificação de tecnologia nacional de software e serviços (Certics) pretendemos permitir que a indústria de software no país  se beneficie das margens de preferência da lei do poder de compras. A certificação é uma exigência para que o produto resultante de desenvolvimento e inovação realizados no Brasil tenha preferência nas compras governamentais. O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) já abriu consulta pública para receber contribuições da sociedade a respeito da metodologia de certificação de software.

O TI Maior reservou R$ 40 milhões para apoiar o desenvolvimento de empresas nascentes de base tecnológica, as chamadas startups, com ênfase em empresas de software e serviços. A expectativa é gerar produtos de excelência e de alto valor agregado, mediante a interação empresa-universidade e com foco no mercado.

Em outra ação do programa, o Brasil Mais TI, a meta é capacitar 50 mil jovens até 2014, reduzindo a carência de profissionais qualificados em tecnologia da informação. O TI Maior planeja também atrair ao Brasil quatro centros globais de P&D de software e serviços de TI. O TI Maior não é uma obra fechada e concluída. É uma agenda para o futuro. Minas Gerais respondeu com rapidez e já aderiu ao programa.


Postado em: 21/01/2013